sábado, 19 de julho de 2014

XVI DOMINGO COMUM

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OLÁ AMIGOS, DESCULPEM-ME A AUSÊNCIA NESTE TEMPO. 

ESTAMOS DE VOLTA COM NOSSAS REFLEXÕES. ESPERO QUE 

TENHAMOS SEMPRE A ALEGRIA DE MEDITAR O EVANGELHO 

DOMINICAL, FONTE DE NOSSA EXPERIÊNCIA COM DEUS. 



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OS MISTÉRIOS DO REINADO DE DEUS:

SUTILEZA E ESPLENDOR



Mt 13,24 Jesus contou outra parábola à multidão: 'O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26 Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27 Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: `Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?' 28 O dono respondeu: `Foi algum inimigo que fez isso'. Os empregados lhe perguntaram: `Queres que vamos arrancar o joio?' 29 O dono respondeu: Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30 Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!'' 31 Jesus contou-lhes outra parábola: 'O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32 Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos.' 33 Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: 'O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado.' 34 Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo'. 36 Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: 'Explica-nos a parábola do joio!' 37 Jesus respondeu: Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. 40 Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42 e depois os lançará na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai.  Quem tem ouvidos, ouça.'

            A parábola é uma forma de ensinar. Jesus ensina por sinais, símbolos e realidades tão simples, que podem inclusive confundir seus ouvintes-discípulos. A Parábola era o método de ensino de Jesus. Para ele, ensinar por parábolas era algo simples, do dia a dia, algo que dizia profundamente à vida das pessoas. As realidades inseridas nas parábolas de Jesus estão presentes no cotidiano da realidade de seus interlocutores. Falar de semente, de fermento, de joio, de trigo ou semeador ou ainda de uma dona de casa que amassa pães era algo realmente corriqueiro e simples. Porém, por trás destas imagens existiam verdades fundamentais para a vida de seus ouvintes mais atentos. Evidentemente, hoje também podemos beber da fonte da verdade presente nas parábolas do Reino, apresentadas por Jesus. Trata-se de buscar nas realidades mais simples as verdades mais complexas para nosso existir humano. As complexidades humanas, de acordo com este método de ensinar praticado por Jesus, podem ser respondidas a partir da resolução dos problemas mais óbvios, isto é, como arrancar do meio do trigo o joio, semeado pelo inimigo do Reino? Ou ainda, como fazer transformar uma realidade, como a mulher transforma a massa de pão com o fermento?
            O Reinado de Deus, ou dos céus como é mencionado no Evangelho de Mateus, sempre foi o conteúdo do anúncio de Jesus e sua preocupação. Ele falava do Reinado de Deus a todas as pessoas e as maravilhava com os mistérios deste Reinado. Contudo, para falar sobre o Reinado, Jesus preferia adotar o método chamado parabólico, isto é, de comparação.  Trata-se de falar de uma realidade, utilizando-se de outras coisas, que fazem referência a ela. A realidade apresentada por Jesus era, sem dúvida, a hegemonia de Deus, sua presença na vida e na realidade das pessoas. O reinado de Deus era a realidade assumida por Deus, isto é, a realidade humana que se abriu e que ainda se abre à presença e vontade de Deus. O Reino consiste em uma realidade transcendental, que vem até nós, mas também imanente, que necessita de nós para ser consolidado, pois é no coração humano que primeiramente o Reinado de Deus finca suas raízes, edifica seus alicerces.
            Jesus nos fala sobre duas realidades para comparar o Reinado de Deus. A primeira, uma realidade agrícola, do grão de trigo e da semente de mostarda, a segunda, uma realidade doméstica, da mulher que leveda a massa de pão em sua casa.
            A primeira realidade, a agrícola ou campesina, está associada àquela apresentada por Jesus na parábola do semeador, na qual se diz que o semeador saiu a semear e as sementes caíram em quatro campos distintos, à beira do caminho, entre pedras, entre espinhos e, por fim, em terreno fértil. Agora, porém, a semente é lançada em um campo aparentemente fértil. Contudo, há espaços (durante a noite) para que o inimigo do semeador semeie também, entre o trigo, o joio. O joio é uma erva daninha, bem parecida com o trigo. O joio é também chamado de cizânia e é erva venenosa. Quando processada com o trigo pode levar à perda completa do trigo.
            A realidade do joio e do trigo são inusitadas, pois os empregados dizem ao dono do campo que o joio está presente no meio do trigo. Eles querem saber se devem arrancar o joio do meio do trigo. Contudo, o dono da terra acha melhor, por experiência própria, deixar o joio e o trigo crescerem para depois, já graúdos, possam ser arrancados. O trigo será processado para alimentar as pessoas. O joio será consumido ao fogo. O dono da terra sabe que o joio crescerá com o trigo, mas não comprometerá a plantação de trigo, pois no fim ambos terão destinos distintos, um servirá para nutrir o outro servirá para a perdição.
            A parábola do grão de mostarda sinaliza a sutileza do Reino de Deus. O Reinado de Deus começa pequeno como uma semente de mostarda, mas à medida que cresce e se expande é capaz de abrigar a todos em sua sombra. O Reinado de Deus é uma realidade sutil, que cresce dia após dia, com muita delicadeza e ternura. Esta realidade não é megalomaníaca, mas verdadeiramente misteriosa. Jesus diz que o Reino vai crescendo, ele não surge do de repente, mas do crescimento contínuo e sutil.
            A segunda realidade sobre o Reino de Deus é a doméstica. O Reinado de Deus é comparado por Jesus à massa de pão que é levedada pelo fermento. O Reino de Deus é uma realidade de misturas e ao mesmo tempo de transformação. É a transformação que o Reino vai ocasionando em nós que pode ser comparada ao fermento que faz crescer e transformar. Sem o fermento a massa não cresceria suficientemente a fim de ser assada. O Reino é a realidade da bondosa presença de Deus que vai fermentando o mundo, transformando-o dia após dia em uma realidade boa, como aquela desde sua origem, na narrativa do livro do Gênesis, em que Deus viu que tudo o que havia criado era bom, e no fim, viu que tudo era muito bom. Esta bondade de Deus, a bondade de sua presença, como a presença do seu Reinado, deve ser uma realidade que cresce cotidianamente no meio de nós, seres humanos, a fim de que seja consumada a realidade escatológica da salvação de Deus, de sua mística envolvente da Redenção eterna.

            Por fim, o ensino de Jesus por meio de parábolas nos ensinam três coisas muito importantes. A primeira lição, trata-se do bem e do mal, que crescem na mesma realidade do mundo. Contudo não podemos deixar com que o mal cresça mais em nós que o bem. Pois, se ele crescer ele será colhido e servirá para o fogo eterno, porém, se o bem crescer mais que o mal ele servirá para nutrir o mundo, como o trigo que nos nutre todos os dias.  A segunda lição, trata-se do Reinado de Deus que cresce sutilmente sem os esforços exagerados (megalomaníacos) de nossa parte, ele é mistério de Deus, que vem como o orvalho da madrugada, calmo, apagando a poeira do chão. A terceira e última lição, trata-se do poder transformador do Reinado de Deus. Ele muda as realidades: da tristeza para a alegria, do ódio para o amor, da morte para a vida, do egoísmo para a solidariedade. É preciso, portanto, que nos deixemos tocar pela beleza, pela sutileza, e pela formosura do Reinado de Deus, enfim, por sua força transformadora, metamorfozeante, que atuando afetiva e efetivamente em nós, transforma também o mundo em que vivemos em um lugar propício para a hegemonia, a excelência e a bondade de Deus. 

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