sábado, 8 de fevereiro de 2014

V DOMINGO COMUM

Mt 5,13 Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa. 16 Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.

         Este discurso, que tem como temática dois símbolos, o sal da terra e sobre a luz do mundo, faz parte do chamado sermão da montanha, o discurso inaugural do Evangelho de Mateus, também conhecido como primeiro grande discurso de Jesus. Tal discurso tem início em Mt 5,1 e sua conclusão em 7,29, onde se diz que Jesus ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da lei. Em 8,1, o narrador afirma que Jesus desceu da montanha e foi seguido por uma grande multidão. Trata-se, desse modo, de um discurso longo e repleto de simbólicas.
         Entre tantas simbólicas, mas ao mesmo tempo, entre observações necessárias à vida de discípulos de Jesus, se destacam dois símbolos que, na boca de Jesus, se transformam em sentidos, para a vida de quem o escuta e o busca seguir. Trata-se dos símbolos “sal da terra” e “luz do mundo”.
         Evidentemente, nossa leitura deve se pautar na narração, no conteúdo proveniente da boca de Jesus, buscando compreender o sentido destas simbólicas do sal e da luz. Tratam-se de dois elementos naturais. Um proveniente da água do mar e o outro naturalmente do céu, que tem o sol como seu gerador.
         O sal é o elemento do sabor, fundamentalmente. Sem o sal, na medida certa, os alimentos parecem insossos, a carne não parece adquirir seu verdadeiro gosto, mas é claro, o sal deve ser utilizado com moderação. O sal, na perspectiva bíblica, é aquilo que conserva um alimento, uma carne por exemplo. Naquele tempo bíblico, que não havia como refrigerar os alimentos, então, utilizava-se o sal para condicioná-los, como ainda se faz hoje em muitos lugares, não só do Brasil. O sal é também utilizado no ritual do Batismo, não é obrigatório seu uso, mas é símbolo do sabor que deve existir na vida do Cristão.
         A luz é elemento vital. Haja visto que no princípio do Genesis, Gn 1,3, Deus criou o céu e a terra e a primeira palavra que ele pronunciou foi: “Faça-se a luz” e, assim, a luz foi feita. A luz é primordial para que a vida possa existir. Diz-se quando uma criança nasce: "a mãe deu à luz". Sem a luz, em nossa noite escura, podemos tropeçar nos mais diversos obstáculos. A luz é significativamente importante para nossa direção, nosso sentido e nossa felicidade. Em lugares onde a presença do sol é maior e mais incidente, a alegria das pessoas é algo natural, em relação aos outros locais onde a luz do sol é escassa. Depois de um inverno intenso e chuvoso, não vemos a hora de ver a luz do sol brilhar sobre nossa face, esquentando nossa existência, outra vez. A luz é, portanto, fundamental para caminharmos na segurança do criador.
         A luz é também tema de muitos escritos do Antigo e do Novo testamento. Segundo Isaías, “o povo que vivia nas trevas, viu uma grande luz” (Is 9,2). Em Jo 8,2, Jesus afirma ser a Luz do mundo e quem o segue não andará nas trevas. Ainda no Quarto Evangelho o narrador diz que o julgamento do mundo é este: “A luz veio ao mundo, mas os homens preferiram às trevas à luz, pois suas obras eram más” (Jo 3,9). Deste modo, tanto no AT como no NT, a luz é símbolo não apenas da vida, mas também da verdade. A mentira não sobrevive diante do influxo da verdade da luz.
         Por fim, o Evangelho deste domingo se conclui com uma exortação fundamental: “também brilhe a vossa luz diante dos homens”. Trata-se, contudo, de uma missão exigente para os tempos de hoje, quando somos muitas vezes condicionados às trevas do pecado, do egoísmo, da morte, do desejo de sermos felizes por nós mesmo e alicerçados apenas em nossa luz pessoa. Jesus, por sua vez, nos convida a relação de iluminarmos a vida das pessoas com a luz que, evidentemente, procede dele. Ele é o sol de nossa vida, nós somos os astros que gravitamos em torno dele. E como no sistema solar, precisamos de sua luz para garantir nossa iluminação, nossa existência feliz, de bem aventurados. Trata-se de uma missão fundamentalmente exigente, que demanda de nós não evadirmos jamais a presença dele. É a presença de Cristo, em nossa vida, que nos garante a iluminação e a vida que precisamos para viver e refletir o seu amor.
         Quiçá, Cristo continue, dia após dia, a ser a luz de nossas vidas, o sal de nossa terra, a luz que nos faz percorrer os caminhos da história na vivência do bem, na busca da construção de um mundo melhor, repleto de justiça, amor e paz.   

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