sábado, 1 de fevereiro de 2014

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR





Lc 2 22 Concluídos os dias da purificação da mãe e do filho, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23 conforme o que está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor; 24 e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos. 25 Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. 26 Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. 27 Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, 28 tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 29 “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. 30 Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31 que preparastes diante de todos os povos, 32 como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”. 33 Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. 34 Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, 35 a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma”. 36 Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. 37 Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. 38 Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação. 39 Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, à sua cidade de Nazaré. 40 O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele. 

        
A festa da apresentação do Senhor no Templo marca uma passagem na vida de Jesus. É como se ele fosse reconhecido, já recém-nascido, como o Messias que Israel tanto esperava. Simeão e Ana simbolizam com veemência a tradição larga de Israel, com todo seu anseio de conhecer, reconhecer e acolher em seu meio o Salvador, aquele que iria restaurar Israel para sempre. Mesmo recém-nascido Jesus é apresentado no templo. O costume era pautado na purificação da mãe e da criança, que durava alguns dias, sete ou oito dias, conforme o sexo da criança. Deste modo, ao fim da purificação por ocasião do parto, a família de Nazaré se direciona à Jerusalém para cumprir os rituais prescritos na Lei mosaica. Diríamos, para começar, que José e Maria são fiéis à Palavra do Senhor, à Lei de Israel. Deste modo, Jesus é entronizado à Lei, em conformidade à obediência de seus pais terrenos. Esta é a primeira pista para nossa vida cristã. Ela deve ser baseada no cumprimento da vontade de Deus, naquilo que não se encontra apenas na Lei escrita, mas na Lei do coração, em configuração com a vontade de Deus, isto é, o amor.
Simeão esperava com ardor a revelação messiânica à Israel. Ele foi convocado pelo Espírito de Deus para que esperasse com paciência a manifestação de Deus em seu Filho, Jesus. Simeão representa a Lei Mosaica, o sacerdócio e a tradição mais arraigada do Judaísmo que se encontra com a Nova Lei, o Novo Sacerdote e aquele que redimiria todo homem de seu pecado. Trata-se de uma confluência entre o antigo e o novo, dois caminhos que se estreitam e se encontram, assim como dois rios que formam um rio ainda maior. Simeão vai ao Templo e toma em seu colo o Messias, o Salvador. A segunda pista para nossa reflexão está no gesto de ir ao encontro de Deus. Deus que se faz visível no outro, no mundo, na realidade da Cruz, da Ressurreição, da vida nova. Simeão ainda nos ensina a nunca desistir de nossos ideias de fé, de vida, na busca de construir um mundo melhor.
José e Maria ficam admirados com a alegria de Simeão. Contudo, Maria é exortada pelo servo de Deus, que a revela: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma” Maria há de sofrer por causa da opção de seu filho. Ele será grande e forte, mas será também humilhado e excluído, tornar-se o crucificado, mas viverá para sempre, possibilitando a todos a Salvação. Era o preço a se pagar. Maria participa com intensidade da vida de seu Filho Jesus, tanto na alegria como na dor.
Ana, a profetisa do Senhor, também esperava como Simeão o advento do Messias. Trata-se de uma mulher esperançosa que aos oitenta e quatro anos aguardava com vitalidade a vida do Ungido. Ana é simbolicamente a Israel que espera. No entanto, Ana segue seu caminho contando, narrando, dizendo a todos que encontrou-se com o Messias. Israel, por sua vez, representado por suas autoridades, condenará, alguns anos depois, Jesus, o Filho de Deus. Ana é profetisa do amor, da verdadeira fé em Jesus Cristo. Ela anunciava a todos os que esperavam a libertação, que tal libertação iria chegar. A última pista que nos oferece o Evangelho de hoje é que, assim como Ana a profetisa, também devemos anunciar o amor de Deus revelado a nós em Jesus Cristo. Ele é a nossa absoluta esperança, nossa libertação. Nele nós podemos confiar. Contudo, ele se faz presente hoje no irmão, na vida da comunidade cristã, na Eucaristia que comungamos e nos dá força para a fidelidade na missão.

Deste modo, assim como Jesus, possamos continuar crescendo na graça, na estatura da fé e fundamentalmente no amor a Deus e aos irmãos, na busca exaustiva da construção de um mundo melhor, até que o Reinado de Deus se faça absolutamente presente no meio de nós no último dia, ao qual todos estamos convidados a participar da glória de Deus.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário