sábado, 7 de dezembro de 2013

8 de dezembro, SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA




O anjo do Senhor anunciou a Maria, 

e ela concebeu do Espírito Santo!


Lc 1, 26 O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria 28 O anjo entrou onde ela estava e disse: 'Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!' 29 Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30 O anjo, então, disse-lhe: 'Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32 Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33 Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim'. 34 Maria perguntou ao anjo: 'Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?' 35 O anjo respondeu: 'O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36 Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37 porque para Deus nada é impossível'. 38 Maria, então, disse: 'Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!' E o anjo retirou-se.
           
          No dia 08 de dezembro a Igreja celebra a solenidade da Imaculada Concepção da Virgem Maria, mãe de Jesus e nossa. Mesmo no tempo do Advento, esta liturgia é solene e festiva, contemplando a alegria da concepção imaculada de Maria. Para tal dogma, Maria foi concebida sem pecado original, preparada para ser a mãe de Deus desde sua concepção no útero de Santana, mãe de Maria de Nazaré. 
            Se Isaías exclamou em alta voz: 'Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus’ (40,3), ecoando no coração de João, o Batista:Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias’ (Jo 1,27), Maria, a jovem virgem de Nazaré, agora diz: “Eis a serva do Senhor” (Lc 1,38). Maria, mulher preparada para ser a mãe do Salvador, é ícone, imagem mais bela da formosura humana. Ela personifica a bondade de Deus, traço perfeito nos riscos da página da Criação. O útero de Maria, seu colo de menina-mulher, sua mente, seu coração, sua essência humana, se abrem para o Criador. Ela é a “porta do céu” que divisa o espaço entre o Deus ( Jesus de Nazaré ) e os homens peregrinos e sofredores. Ela é Dei genetrix, Mãe do Deus que atravessa o tempo, faz-se carne na História dos homens. Foi em vista do Filho, que o Pai escolheu Maria para ser a genitora, aquela que engendrou em seu seio o Verbo divino. Maria se torna a mulher da perene misericórdia, pois a força arrebatadora e sedutora do Espírito que é Santo a fecundou.
            Embora, Maria tenha se perturbado mediante as palavras divinais do anjo Gabriel, ela se colocou atenta e resoluta à Palavra de seu Deus. ‘Não tenhas medo Maria’, foi a locução divina que se entranhou no coração da Virgem. Tais palavras, ecoaram em sua existência, e, de pé, junto da cruz de seu filho, lá estava Maria: fiel e serena. Ela foi tornada, pelas palavras de seu filho Jesus, a mãe da Igreja, dos Discípulos e da Humanidade. Maria se constitui para os seguidores de Jesus a testemunha fiel, a discípula perfeita, a ouvinte obediente da Palavra.
            Maria é agraciada, pois foi encontrada por Deus. Ele a elegeu e a consagrou. Do latim, “Ave”, cheia de graça. Do grego de Lucas, “haire Maria. Ela é abençoada, a mais bela flor de Nazaré. Maria, portanto, faz jus da bondade do Criador. Seu nome em egípcio antigo significa “Amada do Senhor”. Ela é querida por seu Pai, amada pelo Filho que ela encarnou, é doce morada do Espírito. Assim, em Maria, toda a humanidade é elevada à vida da Trindade. Ela é a nova Eva. Se pela primeira vivente entra no mundo o pecado, por Maria, a Theotokos[1], nasce-nos o Salvador, aquele que redime todo ser criado.
            Neste tempo que precede o Natal Santo do Senhor, Maria nos ensina as virtudes da paciência e da esperança. A espera de Maria, por seu Deus e Salvador, nos afortuna. Sua história, junto a toda humanidade, se faz na paciência e simplicidade. Maria é mulher ora do silêncio ora da palavra acertada. “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5), ela afirmou em Caná, na Galileia. Maria espera em Deus seu Senhor, nos diz o cântico do Magnificat. Sua esperança é viva. Ela espera com seu esposo um bom e acolhedor lugar para o nascituro Jesus. Em Belém nenhuma hospedaria se abriu, mas lá, na esperança de Maria, estava escancarado seu coração. Maria, unida a seu esposo José, saiu, como o povo hebreu antigo, rumo ao Egito, na certeza de salvar o menino que, desde pequenino, já estava sendo perseguido. Maria é a mulher que sinaliza a esperança do povo messiânico. Ela espera que seu filho cresça e se torne Santo. Ela o educou na certeza e na esperança em Deus. Assim, ela espera, com as santas mulheres, a Ressurreição daquele que por nove meses esperou em seu ventre.
     Confiemos na intercessão amorosa de Maria. Peçamos que Deus nos torne semelhantes a ela, sempre dócil, para acolhermos os desígnios do Senhor. Que a alegria de Maria, por gerar o Filho de Deus, nos contagie, que saibamos nos abrir sempre à graça de Deus e que faça-se em nós a vontade santa de Deus, como fora feita no coração da Virgem de Nazaré. Maria, a Imaculada Conceição, intercede por nós junto de Deus, hoje e sempre, amém!

[1] THEOTOKOS, Theotokos é composta de duas palavras gregas, Θεός (Deus) e τόκος (parto). A tradução literal para o português incluí "portadora de Deus". Na teologia do Concílio de Calcedônia, Maria é a Theotokos, porque seu filho Jesus é simultaneamente Deus e homem, divino e humano, Theotokos, portanto, refere-se à Encarnação, quando Deus assumiu a natureza humana em Jesus Cristo, sendo isto possível graças à cooperação de Maria.

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