sábado, 16 de novembro de 2013

XXXIII DOMINGO COMUM

É NECESSÁRIO PERMANECER FIRME!


Lc 21, 5 Algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: 6 'Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.'  7 Mas eles perguntaram: 'Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer? 8 Jesus respondeu: 'Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' e ainda: 'O tempo está próximo.' Não sigais essa gente! 9 Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim.' 10 E Jesus continuou: 'Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. 11 Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. 12 Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. 13 Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. 14 Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; 15 porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. 16 Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. 17 Todos vos odiarão por causa do meu nome. 18 Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. 19 É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!

            

          A escatologia, o fim dos tempos, segundo Lucas é algo instigante. Tudo começa a partir do comentário exaltante à beleza do Templo de Jerusalém. Este relato lucano se trata de um retrato narrativo daquilo que poderá ser o eschatón, o fim da humanidade neste mundo terreno em vista do mundo futuro, esperado por nós pela fé, realidade futura para os que creem em Deus.
            O v. 5 retrata o elogio feito ao templo, ornado com pedras e ofertas votivas. O templo era lugar da devoção do povo, porém também do encontro das pessoas em torno do sagrado Divino. O templo, a medida de sua importância, transformou-se em lugar também de abusos de fé, lugar de comércios. Contudo, vale lembrar que nossas igrejas antigas, do tempo do Brasil Colônia, serviam também de local de comércio, encontro e fé para as pessoas.
            Contudo, o v. 6 desconstrói esta relação com o templo, pois bem sabemos que o templo foi destruído no ano 70 da era Cristã. É como se a narrativa, na boca de Jesus, antecipasse o evento da queda, destruição do templo. Na narrativa isso se chama prolepse, a indicação de algo que acontecerá no futuro próximo. De fato o templo foi destruído pelo imperador Romano e restou apenas um grande muro, chamado de muro das lamentações. Contudo, Lucas estava situado depois do evento (post eventum), trataria de uma analepse, ou seja, uma indicação posterior de algo acontecido em um tempo passado. Mas, no relato lucano, esta indicação é sobre o futuro próximo, que narra, evidentemente, os fatos já testemunhados.
            No versículo 7, as pessoas perguntam a Jesus quando acontecerá isso e qual será o sinal indicativo desta realidade. Trata-se de uma interferência narrativa indicando quando tudo acontecerá e de que modo. Contudo, Jesus desconversa o assunto. Ele não dirá qual será o ano nem o sinal. Ele apenas afirma (v. 8): “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' e ainda: 'O tempo está próximo.' Não sigais essa gente!” Jesus exorta ao cuidado em relação aos falsos profetas do apocalipse. “Sou eu!”: indica o anúncio e autoafirmação de Deus propriamente dito. Só Deus pode afirmar “Sou eu!” E somente Jesus, o Filho de Deus, é capaz de dizer em alto e bom som: “Sou eu!” Esta é a identidade do verdadeiro Messias, Jesus. Muitos, porém, dirão “Sou eu!”. Estes também convidarão outros ao seguimento, todavia eles não são o verdadeiro Messias. Finalizando o v. 8 Jesus pede aos seus interlocutores para que não sigam estes falsos cristos.
            Dos vv. 9 a 12 a palavra de Jesus gira em torno dos sinais que prefiguram o fim histórico: guerras e revoluções, terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Haverá perseguição e prisão.
            Para Jesus, segundo o v. 13, este será o momento de testemunhar (martyria) a fé. Na perspectiva de Jesus a fé precisa dar sinais de sua eficácia. Não basta dizer que se tem fé, é preciso, contudo, testemunhá-la a partir da esperança, da paciência, da perseverança.
            Não é preciso antecipar nenhuma defesa, afirma o v. 14. Não são as maquinações antecipadas que garantirão aos discípulos de Jesus, todos nós, o bom êxito neste momento difícil. Jesus Cristo mesmo dará, através de seu Espírito Santo, “palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater”. Trata-se do Espírito Paráclito, o defensor, o advogado diante do tribunal da história que antecipa Juízo escatológico. É preciso estar firme na fé, mas não antecipar nada. Tudo se dará na hora certa e no tempo certo.
            No v. 16 Jesus afirma que a própria família do discípulo fiel será capaz de delatá-lo, entregá-lo e julgá-lo. Trata-se das consequências do seguimento do Jesus: a não compreensão por parte da família, da exclusão por causa da fidelidade a Jesus. Vale lembrar que o próprio Jesus sofreu estas consequências por parte de sua família, dos seus parentes mais próximos. Muitos destes pensavam que Jesus estivesse fora de si, enlouquecido pelo projeto de Deus, o seu Reinado neste mundo. Alguns, contudo, sofrerão o infortúnio da morte, mas serão, obviamente, recompensados.
            O v. 17 elucida que os discípulos serão odiados por causa da fidelidade a Jesus. É a fidelidade a Jesus a garantia de muitas tribulações e infortúnios. Seguir a Jesus e ser fiel a ele é motivo de muita apatia. Nem todos os homens são afinados à mensagem de Jesus nem querem assumi-la em suas vidas.
            Por fim, a mensagem de Jesus é de esperança: (v.18) “Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. (v.19) É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” Para Jesus, o discípulo fiel sofrerá consequências da fidelidade. Mas, no que depender dele, a vida do discípulo será protegida pela graça, a cháris. A firmeza do discípulo no caminho de Jesus é a garantia de sua vida eterna. A herança mais valiosa que o discípulo poderá receber é indubitavelmente a salvação, que ninguém mais, senão Cristo, o poderá conceder.


  

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