sábado, 17 de agosto de 2013

ASSUNÇÃO DE MARIA VIRGEM AO CÉU OU DORMITIO MARIAE VIRGINIS

            




Assunção de Maria, ou a antecipação 
de nossa humanidade na glória de Deus

Lc 1, 39 Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. 40 Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44 Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu". 46 Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, 47 e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, 48 pois, ele viu a pequenez de sua serva, eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita. 49 O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome! 50 Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. 51 Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos. 52 Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. 53 De bens saciou os famintos despediu, sem nada, os ricos. 54 Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, 55 como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre". 56 Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

        
A solenidade da Assunção de Nossa Senhora aos céus, a também conhecida festa da Dormitio Virginis Mariae, “a Dormição da Virgem Maria”, celebrada desde a Antiguidade, no Oriente, e traduzida para a fé Ocidental como Assunção de Maria Virgem, de corpo e alma, ao céu, já o era celebrada na tradição popular, no sensu fidelium, isto é, no sentido da fé dos fiéis (povo de Deus).
            
Sobre a dormição da Virgem Maria, encontram-se algumas narrativas antigas, relatos chamados apócrifos, que não entraram na lista dos livros ditos pela Igreja como inspirados. “A mais antiga narrativa sobre a Elevação de Maria é o chamado Liber Requiei Mariae ("O Livro do Repouso de Maria"), que sobrevive intacto apenas em uma tradução etíope. Provavelmente composta no início do século IV, esta narrativa apócrifa cristã pode ser do início do século III. Também muito primitivas são as diferentes tradições das “Narrativas da Dormição dos 'Seis Livros’”. As versões mais antigas deste apócrifo foram preservadas em diversos manuscritos em siríaco dos séculos V e VI, embora o texto em si seja provavelmente do século IV” ( WIKIPEDIA, acesso 17/08/2013).

Mas foi no dia 1º de novembro de 1950, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, que Pio XII apontando para o Gn 3,15, como o apoio nas escrituras para o dogma, destacou a vitória de Maria sobre o pecado e sobre a morte, como também aparece em I Coríntios 15,54: "então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória”.

Assim afirma a Constituição de Pio XII, “Pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e em nossa própria autoridade, pronunciamos, declaramos e definimos como sendo um dogma revelado por Deus: que a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, tendo completado o curso de sua vida terrena, foi assumida, corpo e alma, na glória celeste”.

Segundo o teólogo católico Ludwig Ott,  "a ideia da assunção corpórea de Maria foi expressada pela primeira vez em certas "narrativas de trânsito" [transitus Mariae] nos séculos V e VI. O primeiro autor a falar da assunção corpórea de Maria, em associação com um transitus apócrifo, foi São Gregório de Tours". Evidente, porém, que não há claramente nenhuma evidência história que reforce o transito de Maria, apenas pela fé, crê-se que Maria foi elevada aos céus e coroada como Rainha dos céus, a “Regina Ceali”.

A narrativa lucana, dessa festa solene, apresenta a visitação de Maria a sua prima Isabel, uma mulher anciã que estava grávida pela ação de Deus. Podemos, a partir da leitura atenta do texto de Lucas, apontar três pontos fundamentais na ação de Maria à sua prima Isabel. Poderíamos destacar os três gestos fundamentais de Maria como possibilidades de vivermos melhor nossa fé. Os três gestos são: serviço-disponibilidade, bem aventurada e crente-fiel.

O primeiro gesto de Maria é sem dúvida a base lapidar de todos os demais. Maria é serviçal e disponível tanto ao projeto de Deus como também às necessidades de Isabel e do povo fiel. Maria partiu apressadamente, com convicção, na direção de uma cidade pequena na Judéia, a fim de servir sua prima Isabel. Maria é dócil e gentil às necessidades de sua prima. Isabel já era anciã, e, em sua velhice recebera de Deus a missão de gerar João Batista, o precursor do Messias Jesus de Nazaré. Lc 1,39 afirma que Maria mesmo estando grávida é capaz de sair de sua casa e ir ao encontro de outra pessoa, de sua prima Isabel.

O segundo gesto concreto de Maria é sua bem aventurança sua felicidade diante de Deus. Maria é considerada beata, feliz, alegre. Em Lc 1,41, a narrativa afirma: “Bendita és tu entre as mulheres”. Ser bendita significa em ser feliz, plena de alegria, bem aventurada. Maria é escolhida entre todas as mulheres para ser a mãe de Deus, mãe do Verbo encarnado. A felicidade de Maria constitui sua fidelidade a Deus, sua alegria corresponde ao projeto de Deus, vivido desde os tenros anos de sua infância. Maria é dócil ao plano salvífico de Deus e, depois de gerar seu filho Jesus, o Bendito fruto do ventre de Maria, torna-se sua seguidora. Maria torna-se além de mãe pela encarnação, discípula pela adesão a Jesus, à sua palavra e a seu chamado. A bem aventurança de Maria, correspondendo a sua alegria diante de Deus. Desse modo, Maria reflete como a lua o mistério de Deus, o Sol magnífico. Maria, como mistério lunar, reflete não o mistério de si própria, mas daquele que a criou em sua bondade, o próprio Deus.

A terceira virtude ou gesto concreto de Maria é, indubitavelmente, sua fidelidade, ou seja, sua fé. Maria é exaltada por Isabel como aquela que acreditou na revelação de Deus, em sua palavra e em seu amor. Em Lc 1,45 o narrador revela a atitude de Maria de acreditar, desde cedo, na Palavra de Deus e, em alguns dias antes da visitação a Isabel, o gesto de ela ter acreditado na visitação do anjo Gabriel ao anunciar que ela própria gestaria e daria à luz ao Filho de Deus, Jesus, o Cristo. A fidelidade de Maria se estende até o momento derradeiro de Jesus na cruz. Maria, segundo a tradição joanina, permaneceu em pé diante da morte de seu filho. Sua fidelidade é manter-se atenta à necessidade de Deus e dos homens, no caso deste relato acima descrito, às necessidades de Isabel. Maria é discípula fiel, mãe de comprovada virtude e intercessora nossa.

Quiçá a Assunção da Virgem Maria, que é experiência antecipada da glória de Deus, por parte de nossa humanidade representada por ela, a sempre Virgem, seja mais um alento para nossa fé e nossa esperança em Deus. Que Maria, assunta ao céu de corpo e alma, interceda por nós junto de Deus e de seu filho Jesus, que ela nos ensine sempre com suas virtudes teologais, fé-esperança-amor, a vivermos dóceis à ação do Espírito Santo, para que em nós seja realizado o sonho de Deus, seu Reino de amor e de paz.         

                

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