sexta-feira, 19 de julho de 2013

XVI DOMINGO COMUM

BUSCAR O ESSENCIAL...


Lc 10, 38 Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40 Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: 'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!' 41 O Senhor, porém, lhe respondeu: 'Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42 Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada.'

           
            Betânia era o povoado onde residia uma família muito próxima de Jesus. Tal família era composta por três irmãos, Lázaro, e as duas irmãs, Marta e Maria. Na cena criada e narrada por Lucas, Lázaro está ausente. O nome da cidade é irrelevante, mas a ação que se desenrola na narrativa ganha o foco central e tem uma textura significante e colorida.
            É inegável a proximidade de Jesus com as pessoas. Jesus se fazia mesmo próximo das mulheres, dos homens, das crianças e dos marginalizados. Independente de que fossem adversárias ou partidárias dele, ou mesmo seus amigos íntimos. Jesus acolhia os outros, ou era acolhido por eles, se fazia próximo, deixava que o tocassem. Ao tocar as pessoas, ele realizava sinais importantes em suas vidas. Por fim, Jesus era de fato simpático às pessoas, independente das reciprocidades.
            Entrando em Betânia, Jesus foi acolhido por Marta e sua irmã, possivelmente mais jovem, Maria. Esta, rapidamente, sentou-se aos pés de Jesus para escutar sua palavra. Como um bom judeu, Jesus era “bom de causo”, isto é, suas histórias eram atraentes e interessantes. Sua palavra procedia misteriosamente de Deus. Evidente que as palavras que Jesus pronunciava causavam certo encantamento, próprio é claro da consistência de suas histórias, de seus pensamentos e ditos. Esta empatia pela palavra de Jesus pode ser vista na relação que se estabelece entre ele e os discípulos que encontraram nele o Messias que procuravam. Em outros encontros de Jesus com as pessoas, elas revelam a Jesus esta força causadora de espanto entre ele e sua palavra e elas, os ouvintes e interlocutores.
            Marta, a anfitriã e responsável pelo lar em Betânia, pôs se a trabalhar enquanto Jesus estava sentado e contando suas histórias. Maria, por sua vez, aproveitava o encontro com Jesus para ouvi-lo em tudo o que ele tinha para ensinar. Marta, certamente, cozinhava algumas coisas para servir à ilustre visita. Tratava-se de um gesto comum de hospitalidade e acolhida. Porém, Marta ficou enciumada ou aparentemente com inveja, pois enquanto ela trabalhava sua irmã descansava aos pés de Jesus. Então, ela diz ao mestre: “'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!” Trata-se de uma cobrança clara a Jesus, como se de fato ele tivesse culpa por Maria estar contemplando-o, enquanto Marta estava trabalhando. Trata-se do ciúmes desnecessário da parte de Marta, pois ela mesma, possivelmente em outra ocasião, havia estado aos pés de Jesus para ouvi-lo. Agora era a hora de Maria ouvir Jesus e se alimentar de suas palavras de vida.
      Por sua vez, Jesus repreende Marta por sua agitação desnecessária e seu descontentamento para com Maria. Ele diz: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas”. Trata-se de um chamado de atenção, pois o ativismo de Marta não a levaria a lugar algum. A invocação duplicada de um nome é sinal de repreensão, isto é, de correção. Marta não precisava se portar com uma matriarca, apenas ouvir Jesus como Maria, depois convidá-la para preparar uns quitutes para o Senhor.  Portanto, Jesus explica à Marta que, “uma só coisa é necessária”. Certamente só a Palavra basta, o Evangelho deve ser o maior alimento na vida de um discípulo, isto é, o Evangelho é a Palavra da vida, do amor, da justiça, da paz e da fraternidade. Daí Jesus completa: “Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”. Talvez pudéssemos traduzir a palavra melhor para a “Boa”, isto é, Maria escolheu a Boa parte, a parte essencial, da Palavra, da Boa Nova, que deve nutrir nossos corações na dimensão do amor, da justiça, da fé e da esperança.
            Deste modo, finalizando, o Evangelho deste domingo nos ensina que algumas coisas são essenciais para a vida das pessoas, dos seres humanos de um modo geral: as pequenas e mais importantes realidades, do amor, do abraço, do perdão, da palavra que liberta, do sacramento que salva, da justiça do Reino de Deus, da singeleza do olhar de uma criança, do afago de uma pessoa que nos ama. Não precisamos de grandes coisas a fim de nos tornar felizes, bastam as coisas essenciais, mesmo que se pareçam irrelevantes para outras. Enfim, parafraseando um autor famoso, as coisas essenciais da vida só podem ser enxergadas com os olhos do coração.

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