sábado, 4 de maio de 2013

VI DOMINGO PASCAL


 
 
QUEM ME AMA,
GUARDARÁ A MINHA PALAVRA
 
 
 
 
Jo 14, 23 'Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25 Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26 Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. 27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28 Ouvistes que eu vos disse: 'Vou, mas voltarei a vós`. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29 Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.


 



 


 

O amor a Jesus Cristo é a condição que nos possibilita guardar sua Palavra, isto é, praticá-la, a fim de nos tornarmos seus discípulos, seguidores e enviados. A Palavra é a convocação que o Senhor nos faz à dinâmica do amor, da fé e da esperança. Na vivência do amor, na experiência de amar, o ser humano se torna morada de Deus, tabernáculo para o Amor absoluto, o próprio Deus, habitar, armar sua tenda, a shequinah no mundo.


 

Em contrapartida, quem não ama Jesus não observa nem guarda sua Palavra. Ela se torna pesada e exigente, pois propõe a conversão, a mudança e a radicalidade na tarefa de amar. Amar não é expressão de quem é forte, mas é experiência do fraco, daquele que está incompleto, que se esvazia cada vez mais de suas certezas autônomas, e se funda nas verdades de outrem, experimentando o ato de amar.
 

O amor é lugar para habitação divina. Deus levanta sua tenda em meio aos tecidos e músculos do coração humano, pobre e simples, fazendo-o coração altruísta, coração desprovido de mesquinharias. Assim é o coração sacratíssimo de Jesus, manso e humilde, eterno e plenamente aberto às misérias do mundo.


Para Jesus, a Palavra não é sua, mas daquele que o enviou, que o capacitou a amar e servir ao mundo em suas pobrezas e miserabilidades. Jesus, porém, ao voltar para o Pai não deixará o mundo órfão, desprovido da verdade e da paz. O Pai enviará sobre o mundo seu Espírito, Espírito da relação dele com seu Filho, o Espírito Santo de amor. É o Espírito Santo o Paráclito, o advogado, quem ampara os cristãos hoje na missão de amar e viver o Evangelho de Jesus.


A missão do Espírito é também, além de santificar, recordar, fazer memória da Palavra de Jesus. É o Espírito que nos comunica e nos ensina a Palavra do Mestre Nazareno. Sem o Espírito não seríamos capazes do entendimento e da ciência, nem da sabedoria e do temor. O Espírito continua dando razoabilidade ainda hoje à Palavra de Jesus, ao Evangelho. A Boa Nova só tem aceitação, pois cai como semente no solo do coração fecundado pelo Espírito, a partir do Batismo e da Crisma, mas também da vivência do amor sem ocaso.


Jesus deseja ainda aos discípulos a paz, o shalom. Esta paz ou plenitude existencial corresponde à vida do Espírito que habita em nós. É o Espírito o companheiro do cristão. É ele quem congrega-nos na fé e nos torna solícitos à bondade de Deus, sua compaixão transformadora.
 

Na proximidade do retorno de Jesus para o Pai, a origem e o fim de todas as realidades criadas e geradas, como o Filho foi gerado do Pai, a Igreja é convidada pelo mestre de Nazaré à não perturbar seu coração. Nossos corações não podem se desorientar da direção do amor que Jesus tem para conosco. A fé e a esperança que nos orientam ao amor de Jesus, não nos deixam passíveis, mas nos colocam na ação de anunciar o Evangelho, na espera de que Ele retorne em sua glória para nos salvar para sempre.


 
Por fim, ao aproximar-se a Ascensão de Jesus ao céu, somos convocados à fé e à esperança, que unidas à caridade formam as virtudes fundamentais do cristão e fiel. Peçamos a Cristo, o Senhor Vivo e Glorioso, que possamos continuar nossa missão neste mundo, construindo o Reino de Deus, aguardando sua Segunda vinda. Que o Espírito Santo, Senhor que nos fortalece e nos vivifica nos torne fiéis ao Evangelho na consolidação do Reinado do Pai, o Criador de todos e de tudo.

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