sábado, 20 de abril de 2013

IV DOMINGO PASCAL


"EU E O PAI SOMOS UM"


Jo 10, 27 “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28 Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29 Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30 Eu e o Pai somos um”.



            O tempo pascal é marcado pela experiência com Jesus Cristo, o Vivente, Ressuscitado no meio de nós. “A morte foi vencida pelo Senhor da Vida...” O triunfo de Cristo sobre a morte, assinala a verdadeira preferência de Deus Pai sobre seu Filho, Jesus de Nazaré. Ele é o Filho amado no qual Deus Pai colocou toda sua complacência, toda sua ternura paternal. Ao ressuscitar Jesus dos mortos, do Vale da Morte, Deus quis confirmar a toda humanidade que esta humanidade está escondida com Cristo, primícia daqueles que morreram e o primeiro a ser ressuscitado.
            Após a ressurreição de Jesus, ele apareceu a Maria Madalena, a Cefas, conhecido como Pedro, e aos discípulos reunidos, também apareceu a beira mar, quando ainda fez refeição com eles. Tais aparições garantem que a vida do Ressuscitado é preeminente e definitiva. A morte não tem presunção sobre ele. Daí, somos todos amparados no caminho da fé pela certeza da ressurreição de Cristo, que se revela como nossa ressurreição também.
            Na narrativa do Evangelho de João, essencialmente no capítulo 10, podemos ouvir Jesus dizer: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (v. 27). Jesus é o bom pastor que, com sua voz, cuida e ampara as ovelhas que estão em seu aprisco. As ovelhas, por sua parte, conhecem a voz do pastor e o seguem. Jesus é o único e verdadeiro pastor, digno de ser ouvido e seguido por todos nós cristãos. Ele é o único pastor capaz de se entregar plenamente para nos salvar. Nós, pastores e clérigos, somos apenas sinais efêmeros do pastor insigne e admirável que é Jesus. Os fiéis, ou as ovelhas, devem sempre fitar nos olhos do bom Pastor Jesus Cristo, suplicando a Ele pelos pastores que aqui neste mundo o representam.
            No versículo seguinte afirma a narrativa: “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão” (v. 28). Jesus é capaz de transmitir a todos a vida eterna, a plenitude da vida que há de vir, do tempo kairológico esperado, da graça sempiterna que haverá de habitar em nós. Jesus é o pastor que concede sua própria vida em prol das ovelhas que lhe foram confiadas pelo Pai. Tais vidas jamais se perderão pela eficácia da doação de Jesus. Sua vida não lhe pertence nem lhe é fim em si mesmo, mas meio para a salvação de tantos homens e mulheres, aqueles e aquelas que serão por ele redimidos, todos nós que nele cremos.
            Para Jesus, ninguém é capaz de arrancar as ovelhas de suas mãos. Ele é pastor dedicado e fiel. Seu pastoreio é eterno e ele não quer que nenhum daqueles que lhe foram concedidos se perca. Sua ação é universal e se aplica a partir da fé daquele que se faz sua ovelha, que é capaz de se entregar em seus braços de pastor amável.  
            A narrativa atinge seu clímax com a afirmação que diz que foi o Pai que concedeu ao Filho as ovelhas. Para Jesus, o Pai é maior que todos, pois foi ele quem concedeu ao Filho as ovelhas e ninguém poderá arrebatá-las da mão do Pai.
            Por fim, Jesus afirma que “Eu e o Pai somos um” (v. 30). Ninguém vai ao Pai senão por Jesus. A unidade do Pai e do Filho garante a fé em Deus. Jesus é a face amorosa de Deus revelada ao mundo. Ele revela o Deus invisível em sua ternura e misericórdia. Se Deus pode ser dito e entendido é a partir da Encarnação do Lógos em Jesus. Nele, Jesus Cristo, Deus se faz homem e habita a história humana, assumindo toda nossa humanidade, garantindo-nos o caminho da salvação. Por Jesus Cristo, Deus se revela afetuoso e santo, capaz de se entregar por aqueles que ele mesmo criou em sua providência. Na face de Cristo, em seu nascimento no mundo, em sua abnegação eterna, e em sua crucificação e ressurreição, o homem - a humanidade -, pode conhecer a hegemonia de Deus, a predileção por suas criaturas, por todas as coisas por Ele criadas. Pelo Filho, por sua paixão, morte e ressurreição, fomos definitivamente redimidos e aguardamos ansiosos sua Vinda Gloriosa, na Parusia, insuflados e unidos no Espírito que é Santo.



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