sábado, 2 de fevereiro de 2013

IV DOMINGO COMUM

 
SANTO DE CASA TAMBÉM PODE FAZER MILAGRE!




Lc 4, Entrando Jesus na sinagoga disse: 21 'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.' 22 Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: 'Não é este o filho de José?' 23 Jesus, porém, disse: 'Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.' 24 E acrescentou: 'Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25 De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio.'  28 Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29 Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30 Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

 

         Em Nazaré, na Galileia, em uma sinagoga, Jesus desenrola o livro do profeta Isaías e diz “O Espírito do Senhor está sobre mim...” Devolvendo o livro ao ajudante da liturgia, Jesus sentou-se disse: “'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

         Com este gesto profético, Jesus assume radicalmente o programa de sua vida. Ele é o Messias, enviado por Deus, para anunciar a Boa Nova do Evangelho aos pobres, anunciar a libertação aos cativos e devolver a visão aos cegos. Jesus vive toda esta realidade libertadora. Sua ação é libertar as pessoas, seus contemporâneos da prisão do pecado e da morte que os assombrava.

         Muitos dos que seguiam Jesus e testemunhavam sua ação libertadora, anunciavam que ele era o Messias. Alguns ficavam encantados com a práxis de Jesus. Outros, por sua vez, intrigados com aquilo que acontecia, difamavam Jesus. Alguns duvidavam de sua ação libertadora. Estes perguntavam se ele não era o filho de José, o carpinteiro.

         Jesus, por sua vez, retruca aqueles que duvidavam de seu poder messiânico, pois estes diziam que Jesus realizava coisas fora de Nazaré. Eles queriam que Jesus realizasse as mesmas coisas que realizou em Cafarnaum. Eles dizem a Jesus: “Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. Porém, segundo Jesus o problema central não se reside em sua impotência diante das mazelas dos Nazarenos, mas a falta de fé deles. Com as palavras agudas: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”, Jesus contesta seus conterrâneos. São eles que não têm fé suficiente para acolher a ação messiânica de Jesus.

         Em outras palavras, Jesus só não teve êxito messiânico, em sua ação evangelizadora, em Nazaré, sua terra natal, porque seus conterrâneos endureceram e fecharam seus corações para Jesus. Eventualmente, não é Deus que não tem poder sobre nós, mas nós que não deixamos Deus agir com profusão sobre nossas vidas. Trocando em miúdos, não é o santo de casa que não faz milagres por falta de poder, mas as pessoas de casa que não aceitam a intercessão do santo. Isso equivale a dizer que Jesus não tinha espaço nas vidas daqueles que o viram crescer, porque duvidavam de sua origem divina, apenas porque ele nasceu de Maria e foi educado por José, o carpinteiro.

         Destarte, Jesus comenta ironicamente que no tempo do profeta Elias, quando houve a grande seca que assolou toda região, havia muitas viúvas, mas foi a viúva estrangeira, de Sarepta, que o hospedou e lhe ofereceu alimento, do pouco que ela tinha. A estrangeira, neste caso, se manifestou generosa e receptiva à mensagem do profeta, ela também reconheceu que Elias era verdadeiramente um profeta de Yahweh. O mesmo aconteceu com Eliseu, no caso do leproso sírio Naamã. Os leprosos de Israel não se abriram à ação profética de Eliseu, mas um homem da Síria, Naamã, se mostrou receptivo e acolhedor à Palavra de Deus, proferida por Eliseu, o profeta.

         Nos dois casos, dos profetas, como no caso de Jesus, os “estrangeiros”, homens e mulheres de outras regiões, se mostraram abertos e receptivos, coisa que os concidadãos dos profetas e de Jesus não o foram. Para Jesus, o que importa é o coração receptivo e generoso à ação de Deus.

         Como reação à crítica contundente de Jesus, os homens que o ouviam levaram-no para fora da cidade, expulsando-o. Contudo, eles já haviam expulsado Jesus de seus corações. Eles não quiseram ouvir a mensagem de Jesus, e não o deixaram agir como Messias, enviado por Deus. Trata-se da prepotência da fé, muito comum entre aqueles que já se consideram “salvos” e que não precisam mais de nenhuma notícia salvífica.

         Os homens avessos à mensagem salvífica de Jesus o levaram para uma montanha a fim de jogá-lo abaixo. Porém, Jesus saiu altivo do meio deles, continuando seu caminho. Certamente havia outros, os estrangeiros, que acolheriam com maior receptividade a mensagem evangélica de Jesus, do Reino, do Pai, das coisas belas da vida.

         Uma grande lição podemos tirar dessa passagem do Evangelho de Lucas: que a mensagem do Evangelho, da Boa Nova do Reino, é universal e não restrita à meia dúzia de pessoas. Há algumas que querem ouvir o Evangelho e aceitam a ação de Deus, mesmo naqueles que são profetas no meio do povo. Há outros que consideram que estes profetas não são autorizados, e que somente os de fora é que têm autoridade para falar em nome de Deus. Deixemos Deus agir no meio de nós, mesmo por aqueles que estão bem próximos de nós, os santos de casa também podem fazer milagres!

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