segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

III DOMINGO COMUM

O ESPÍRITO DO SENHOR ESTÁ SOBRE MIM
 
 
 
 
 
 
Que o Espírito do Senhor console os corações das famílias enlutadas em Santa Maria - RS. Paz aos vossos corações feridos pela dura e cruel realidade da morte, tão violenta e revoltante.
 



(Devido à demasiada atividade pastoral deste fim de semana atrasei na postagem, desculpem-me)



Lc 1, 2 Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, 2 como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra. 3 Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. 4 Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. 4,14 Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15 Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16 E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17 Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18 'O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19 e para proclamar um ano da graça do Senhor.' 20 Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Então começou a dizer-lhes: 'Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.'

 

 

            Jesus, o Cristo, não é considerado por Lucas apenas uma pessoa nascida na história dos homens, na Palestina dos judeus, mas um verdadeiro acontecimento, isto é, um fato. Com toda clareza semântica, fato se trata de algo acontecido com alguém ou com algo. Nesse caso, segundo Lucas, trata-se de um acontecimento realizado na história humana a partir e por outro homem, o Filho de Deus, Jesus de Nazaré, filho da Virgem Maria. É com este Jesus, Homem-Deus, que tudo começa segundo a perspectiva histórico-teológica de Lucas, o terceiro Evangelho.

            Lucas é um evangelista versado na palavra, conhecedor da história. Embora não sendo Palestino, mas de origem grega, busca investigar todos os fatos relevantes e pertinentes a respeito de Jesus, o Nazareno. Com toda certeza, Lucas não chegou a conhecer Jesus pessoalmente. Mas, obteve em fontes mui dignas os argumentos para elaborar a narrativa sobre a vida de Jesus, que do ponto de vista teológico é surpreendente, bem escrita e com um grego ilustrado. As fontes que inspiraram Lucas são diversas, mas não podemos deixar de citar Pedro, Paulo, o Evangelho de Marcos e Mateus, a chamada Quelle, a fonte dos ditos (Ipsissima verba), das palavras iguais nas narrativas chamadas Sinopticas, de um mesmo conjunto, visto ao todo (Mc, Mt, Lc). Ele diz se dirigir a um excelentíssimo Teófilo, que pode ser traduzido por “amigo de Deus”. Portanto, o Evangelho lucano é uma boa-nova a todo aquele ou aquela que se dispõe tornar-se Amigo de Deus, fazendo, sobretudo, sua vontade. Obviamente o Evangelho é dirigido a nós, que, mesmo pecadores, buscamos realizar a vontade de Deus, como Jesus de Nazaré.

            A narrativa interrompe-se dando continuidade a um novo cenário e um novo tempo narrativo. O capítulo já não é o primeiro, mas o quarto. Nele, Lucas introduz dizendo que Jesus voltou para a Galileia, impulsionado pelo Espírito Santo. É o mesmo Espírito que o conduziu ao deserto para ser tentando e na narrativa dos Atos dos Apóstolos será derramado sobre os apóstolos depois da Ressurreição, em Pentecostes. É o Espírito que anima a vida de Jesus e o faz anunciar, testemunhar e realizar milagres.

            Jesus anunciava o Evangelho do Reino de Deus, curava as pessoas, e sua fama percorria a redondeza. Todos iam até ele para conhecê-lo pessoalmente. Trata-se de uma figura interessante e muito procurada. Ele era o Messias. Sua messianidade atraia as multidões, seus feitos eram solidários para com os pobres, humildes, pecadores e excluídos. Os menores se sentiam atraídos pela ação salvífica e misericordiosa de Jesus.

            Entrando da sinagoga de Nazaré, cidade onde tinha crescido com sua mãe Maria e seu pai José, Jesus é chamado a fazer parte da liturgia sabática. Deram-lhe a segunda leitura. Tratava-se do livro do profeta Isaías. Jesus desenrolou o pergaminho (chamado de Theuco), com a ajuda do servente da liturgia, e começou a proclamar: “'O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor.”  Tratava-se da passagem do capítulo 61 do profeta Isaías. Uma mensagem de otimismo para todos os que haviam voltado do Exílio na Babilônia. Era uma mensagem messiânica, na qual o messias assume seu compromisso de ungido.

            As palavras de Isaías que inspiram Jesus se tornam um verdadeiro programa de vida para ele. Jesus assume cada versículo do profeta da Esperança: anuncia o Evangelho aos pobres, liberta os cativos, cura os cegos, liberta os oprimidos pelo pecado e pela morte, e anuncia a salvação de Deus. Tais palavras que saem da boca de Jesus, num tom profético e messiânico servem de base para toda sua práxis libertadora. Jesus assume dia após dia o teor concreto do Evangelho que anuncia.

            Com clareza e evidência, o Evangelho anunciado por Jesus não se tratava apenas de palavras jogadas ao vento ou sermão para ouvidos moucos e fartos de tanto barulho. O Evangelho que saia do coração de Jesus enternecia as mentes e os corações dos pobres, dando-lhes esperança de continuarem a construção de um mundo melhor. A ação libertadora de Jesus corresponde ao testemunho fiel àquilo que ele próprio anunciou em Nazaré. Trata-se de uma vida que corresponde à pregação. Trata-se do testemunho que acompanha a pregação.

            Por fim, o Evangelho de Lucas, de modo especial esta passagem na sinagoga de Nazaré, torna-se também um programa, um itinerário para a  nossa vida de Cristão. Assumir a mensagem de Jesus é comprometer-se com a vida dos irmãos, na promoção de um mundo melhor, com estruturas humanas mais afetivas e efetivas, nas quais o Reino vá aparecendo sinalizado pelo amor e pela solidariedade, ações próprias daquele que assume Jesus como Senhor de sua vida e se torna com Ele outro Cristo no mundo, sendo sal da terra e luz para irradiar o mundo.

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