sexta-feira, 16 de novembro de 2012

XXXIII DOMINGO COMUM

MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO
 
 
Mc 13, 24 'Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, 25 as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas. 26 Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. 27 Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra. 28 Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. 29 Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas. 30 Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. 31 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. 32 Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai.
 
            O capítulo 13 do Evangelho de Marcos constitui uma verdadeira escatologia simplificada, isto é, uma narrativa sobre o fim dos tempos, que ninguém, nem sequer o Filho de Deus, Jesus Cristo, sabe quando será, mas somente o Pai, o Criador de todas as realidades. Neste cenário apocalíptico, ou seja, de revelação, a imagem que surge preeminentemente é a do Filho do Homem, uma espécie semita de resgatador universal, aquele que fará justiça no dia do Senhor, reunindo os eleitos para o canto em coro no louvor de Deus.
            Nessa mesma perspectiva, somente a palavra de Deus, a Palavra de vida eterna, não passa, pois é realidade constante e eterna desde a preexistência do Verbo, o Logos, que um dia se encarnou na história humana, na pessoa de Jesus, o Salvador, e Filho do eterno Pai.
            A realidade última de Deus, o escathon, é realidade condensada de salvação, constitui-se um mistério, que transcende ao conhecimento do Filho de Deus, Jesus Cristo, pois é perspectiva de Deus para o fim dos tempos da realidade humana.
            A narrativa acima tem como anúncio primeiro a grande tribulação. Nessa ocasião, o sol vai escurecer, a lua não vai mais brilhar. Nesse dia as estrelas começarão a cair do céu e forças do céu serão abaladas. Trata-se de uma realidade final, que não é redutível à possibilidade humana. O sol converterá seu brilho em escuridão. As estrelas, sempre vistas como realidades fixas no céu, começarão a cair e as forças do céu se transformarão, desmantelando seu poder.
            O Filho do Homem surgirá com poder e glória no fim da realidade temporal. O poder do Filho de Deus será hegemônico. Jesus virá uma segunda vez, a chamada Parusia, julgar os vivos e os mortos, entregando seu Reino nas mãos do Pai. A ação do Filho será reunir os eleitos, os santos de Deus, na Assembleia santa, a Jerusalém celeste, que glorifica e sempre glorificará o nome Deus.
            Nessa perspectiva, Jesus propõe a pequena parábola da figueira. “Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto” (v. 28). O verão é uma realidade nova para a figueira, que precisa se preparar para gerar frutos, por seus novos ramos e folhas. Essa parábola vislumbra o novo tempo de Deus, o Kairós, no qual Deus conduzirá a história dos homens e do mundo.   
            Por fim, a narrativa deste evangelho apocalíptico (de revelação) e escatológico (fim dos tempos) sinaliza a soteriologia (salvação) de Deus. Deus, por seu Filho, o Filho do Homem, salvará os eleitos, os que foram lavados e alvejados pelo sangue do Cordeiro. Deus virá para resgatar seu povo, seus amados e escolhidos. Quiçá, estejamos atentos à ação de Deus, pelo Filho, que virá nos salvar, redimir e santificar, pela força de seu Espírito, para a glória de Deus Pai.
           

           

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