sábado, 21 de julho de 2012

XVI DOMINGO COMUM




A Palavra de Jesus atrai as multidões





Mc 6,30 Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31 Ele lhes disse: 'Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco'. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. 32 Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33 Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. 34 Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.



           Depois de serem enviados, dois a dois, para as cidades e povoados diversos, os discípulos, chamados por Marcos (6,30) de apóstolos – do grego, apostoléo, que significa “enviados” – retornam para o encontro com Jesus que os mandou para o caminho.
           Ao voltarem para o lugar de origem, eles contaram tudo a Jesus o que haviam realizado e ensinado. Deste modo, eles deixam claro que seguem a Jesus, o Messias por palavras e obras. Esta dupla realidade sinaliza bem a missão de Jesus que anuncia e age conforme seu próprio anúncio. Os discípulos, enviados para o caminho, proclamam a palavra, ensinando toda multidão, e agem conforme o Espírito Santo que ungiu Jesus para a missão. Vejamos as nuanças desta narrativa bíblica, que se trata do balanço feito após a missão, outorgada por Jesus.

v. 30 “Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado”. Ao retornarem para a casa de Jesus, que pode ser a casa de Pedro, em Cafarnaum ou ainda em Nazaré, os discípulos contam-lhe tudo o que realizaram pelo caminho da missão. Eles agem em nome de Jesus, ensinam as pessoas a palavra do Evangelho, anunciam que o Messias está no meio deles e proclamam que o Reino de Deus se faz realidade nas palavras e obras de Jesus de Nazaré.

v. 31 “Ele lhes disse: 'Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco'. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer”. Jesus lhes convida para irem a um lugar deserto, a fim de descansarem. O deserto é lugar de silêncio e possibilidade de escutar a Deus. Os apóstolos descansam da missão árdua e difícil. Mas o povo não os deixa. Muita gente vai ao encontro de Jesus e dos discípulos. Com isso, eles nem tempo para comer têm. Os que ora ouviram a mensagem dos discípulos agora se sentem atraídos por aquele que os enviou. Foi Jesus que os enviou à missão. É dele que emana toda palavra que os discípulos anunciam. Ele é a palavra viva que os discípulos proclamam: Jesus é a Palavra, a mensagem dos apóstolos. Assim, em nossa missão não precisamos inventar mais nada. O próprio Jesus é a Boa Nova de nossa Evangelização. Ele deve ser conhecido, seu evangelho proclamado, seu reino anunciado. Daí, de fato Ele, um dia, “será tudo em todos”.

v. 32 “Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado”. Possivelmente os discípulos e Jesus estavam em Cafarnaum. Pois saem de barco. Cafarnaum era cidade marítima, a beira do mar da Galileia e cidade de Pedro. O mar é lugar de silêncio, como o deserto. Lugar onde emana a voz de Deus, onde a consciência humana se deixa questionar. Mas eles vão para um lugar afastado, não ficam no meio do mar, mas a deriva, num lugar a parte.

v. 33. “Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles”. A multidão persegue Jesus, pois sua voz emana Deus, suas ações estão fundamentadas na vontade de Deus. A multidão conhece os apóstolos e consequentemente conhece o mestre que os enviou. Jesus é reconhecido pela palavra e ensino dos Doze apóstolos. Todos correm atrás dos discípulos e vão atrás de Jesus. É a palavra de Jesus, proclamada pelos discípulos, que atraí o coração dos homens. Eles chegam ao lugar para o qual Jesus se dirige antes mesmo dele chegar. A multidão estava faminta pela palavra de Jesus, seu ensinamento, sua práxis libertadora e renovadora.

v. 34 “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”. Ao descer do barco, Jesus vê a numerosa multidão. Seu coração se constrange diante daqueles que o buscam incessantemente. Ter compaixão significa “sofrer com os sofrem”, com os que estão sedentos e famintos pela Palavra e libertação que virá do Messias. A multidão era como ovelhas que não tem pastor, como aqueles que não têm sentido. Jesus agora é o bom pastor, ele orienta a multidão, alimenta-a com sua Palavra e gesto restaurador. E assim, Jesus começou a ensinar-lhes muitas coisas. Sua Palavra ensina, isto é, preenche lacunas no coração humano. Pela Palavra Deus fez o céu e a terra (Gn 1), pela Palavra ele criou o ser humano, “a sua imagem e semelhança”, pela Palavra, agora, Jesus recria o coração dos homens e mulheres, seus ouvintes.

           Deste modo, a narrativa de Marcos 6,30-34 nos ensina que a missão dos Doze constitui frutos saborosos para a comunidade dos discípulos e para o mestre e pastor Jesus de Nazaré. A palavra de Jesus atrai as multidões pela missão dos apóstolos. Os apóstolos e Jesus atraem as pessoas, e estas vão atrás da palavra que as poderá libertar, restaurando suas vidas. Por fim, a Palavra de Jesus ensina os corações a amarem, fortalece os homens no caminho da paz e nos dá a certeza de que Jesus é o bom Pastor, que conduz com sua voz todos nós, suas ovelhas.

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