sábado, 24 de dezembro de 2011

E a Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós (Jo 1,14)

Jo 1, 1 No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2 No princípio estava ela com Deus. 3 Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4 Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5 E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 6 Surgiu um homem enviado por Deus; Seu nome era João. 7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9 daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10 A Palavra estava no mundo - e o mundo foi feito por meio dela - mas o mundo não quis conhecê-la. 11 Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12 Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus isto é, aos que acreditam em seu nome, 13 pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14 E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como filho unigênito, cheio de graça e de verdade. 15 Dele, João dá testemunho, clamando: 'Este é aquele de quem eu disse:  O que vem depois de mim passou à minha frente,  porque ele existia antes de mim'. 16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17 Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18 A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.
           
Hoje celebramos o Natal do Senhor. Fazemos memória da noite mais iluminada da história humana. Naquela noite, o céu estava marchetado por milhares de estrelas e uma entre elas guiou os pastores e magos do Oriente para junto da manjedoura, num estábulo localizado no pequenino vilarejo de Belém. O mistério daquela noite ilumina-nos neste  dia. Hoje, somos contemplados por Deus. Não somos nós quem o contemplamos. Ele mesmo vem ao nosso encontro, inundando-nos com sua ternura e sua bondade. Carne de nossa carne, homem como nós.  
Deus se encarna na história dos homens, assume nossas dores, infunde em nós sua vida. O mistério da encarnação se evidencia na habitação de Deus, Ele arma sua tenda entre as tendas humanas. Entendendo-se um de nós, Deus não leva em consideração nossas faltas, mas, nos abre o caminho novo para a vida divina, que é a humanização em plenitude. Só um Deus que desce entre nós é capaz de nos salvar e nos abrir as portas da vida eterna.
A luz de Jesus, ao incidir a história humana, evidencia a beleza de Deus. Na luz do Senhor todas as trevas se dissipam, a miséria humana se descortina como lugar favorito para que o Espírito possa habitar. As trevas do coração humano dão lugar ao amor. O Natal, a festa da luz, ilumina a escuridão do mundo, demarca o espaço para o Santo passar. Sua passagem nos traz a esperança, no faz esperar contra toda esperança, nos impulsiona ao amor.
Natal é ainda tempo de contemplação. Contemplamos a glória, certeza de um Deus compassivo, clemente e solidário. De um Deus que não abandona seus seres criados, mas com eles faz da comunhão a grande sinfonia que encanta o Universo. Sua bondade, ó Deus, eu haverei de perceber. Sua solidariedade, ó Senhor, eu haverei de louvar! Contemplá-lo nos faz mais santos, nos faz mais fortes. É por vós, ó menino Jesus, que visitas nossa manjedoura chamada coração, que somos capazes de encontrar o alento e o sentido da vida. Vossa presença em nossa história abre as portas para eternidade e nos motiva ao longo do caminho rumo à felicidade, na certeza de sua presença no meio de nós. Ó menino Jesus, não se esqueça de nós em teu nascimento. Que essa ação miraculosa de Deus em história nos faça mais humanos, como aquele menino, portanto, mais capazes de amar.

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