segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A mãe, o Filho e um sinal (Jo 2, 1-11)

Pe. Junior Vasconcelos, por ocasião da Festa de Nossa Senhora Aparecida
Nas núpcias em Caná, um sinal se realizou. O cenário festivo. Os discípulos foram convidados, o mestre Jesus também. E à mesma festa sua mãe foi convidada. Contudo algo indesejável aconteceu: o vinho, símbolo da alegria, veio a faltar. “Eles não têm mais vinho”, exclamou a mãe. O filho lha respondeu: “Mulher, por que dizes isso a mim? Minha hora ainda não chegou”. Para muitos, esta resposta à preocupação da mãe parece soar estranha. O termo “mulher” que sai da boca do mestre em nada comporta menosprezo, ao contrário evidencia seu respeito àquela que o gerou. A mãe, no entanto, deseja do filho uma intervenção – trata-se na narrativa de João um início solene para ação salvífico-redentora de Jesus. “A hora”, expressão caríssima a teologia de João, favorece-nos a compreender que Jesus deveria sim agir; sua hora, embora não chegada, revela o tempo novo, da consumação, da plenificação histórica, da nova família que cela com o noivo uma nova aliança, profundamente alicerçada no amor, na alegria nova, brindada com o vinho novo de inigualável sabor. Jesus é ao mesmo tempo convidado de honra e noivo. Ele é quem sela com a comunidade cristã as núpcias, na qual a alegria não é mais fugaz, insossa como o vinho que veio a faltar, mas saborosa e perenal.
“Fazei o que ele vos disser” é expressão iconoclasta daquela que acreditou. A mãe, primeira discípula do Filho de Deus, aquela que gerou primeiro pela fé, é confiante e esperançosa. Suas palavras ecoam na eternidade. Mãe fiel, ensina ao Filho a fidelidade, o amor, a confiança irrestrita na bondade de Deus providente. O vinho novo, fartura nas núpcias do Cordeiro redentor, torna-se a inebriante bebida que brinda a vida nova. Jesus é aquele que faz novas todas as realidades.
“Enchei as talhas de água” é a indicação do Filho. Levando a água que se tinha transformada em vinho para o mestre da cerimônia experimentar, ele exclamou ao noivo em alto e bom som: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora”. Uma tática perfeita era deixar as coisas boas para  a primeira hora, por causa da boa impressão. Mas o noivo Jesus estende até a última hora as coisas boas e saborosas. A ação do Filho é garantir a todos os seus seguidores as melhores realidades até o fim.
A mãe de Jesus, aquela que experimentou em todos os tempos a bondade do Filho, certifica-nos que atendendo as palavras dele, nós também seremos agraciados. Sua mãe, a Virgem Maria, nos ensina que o fundamental para todo cristão é ouvir a palavra do Filho, meditá-la diuturnamente e colocá-la em prática, por gestos eficientes de amor.
Que a bondosa mãe de Jesus não falte na festa de nossa vida e que não deixe de interceder por nós, quando em nossas realidades perecer o vinho da alegria, da felicidade.

Mãe de Jesus, virtuosa em sensibilidade, olhai por todos nós em nossas pobrezas e necessidades.
Amém



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