terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mt 13, 44 'O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo.


Um homem o encontra e o mantém escondido. 
Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 
45 O Reino dos Céus também é como um comprador 
que procura pérolas preciosas. 
46 Quando encontra uma pérola de grande valor, 
ele vai, vende todos os seus bens 
e compra aquela pérola.

A vida é “Tempus fugit”, absorto, silencioso, livre, sorrateiro, sutil, veloz, discreto, trazendo consigo o medo, a ânsia, a alegria, a calma, a dor, as rugas, as mazelas, as curas, a sabedoria e de novo o medo, do eminente fato: morrer. O que nos faz, sem sombra de dúvidas, sentir que este tempo não pára é que o Reinado Divino está legitimamente em confluência com ele. O Reinado se dá no tempo. Haja vista o sábio adágio teológico de Oscar Cullmann: “já e ainda não”. O reinado é já realidade, mas não enraizada, pois suas categorias estão baseadas na fluidez do Deus Espírito, do não-redutível, do não-seduzível pelas ostentações humanas. Nem sequer os templos chamados sagrados podem circunscrever este reinado que independe da realidade de Estado, mas do desejo, da abertura irrestrita do coração humano, na busca incessante pela beleza, constituía boa e ética, pautada no que é justo, reto e misericordioso. Estes atributos divinos, constituintes reais da soberania de Deus estão na ordem do sonho, da luta pelo bem, que não corresponde ao onírico, aos momentos de devaneio, mas estão na ordem do dia, na pauta da semana, na agenda do mês, correspondendo à realidade vivida na mais autêntica realidade, do aqui e agora. O Reinado de Deus ou entendido por muitos como a soberania de Deus, não como teocracia, mas como teodramática, na qual Deus, o criador universal, narra com sua pena a história humana, destinada a Ele, à salvação performatizada, o Reinado é realidade temporal e graciosa, por que não Kairológica e metaforicamente dita “tesouro”, que ou é constituído, ou é recebido por doação, ou ainda encontrado pela busca paciente e delongada, como daquele do qual Jesus se refere na narrativa de Mateus. O reinado divino, comparado ao tesouro é realidade absoluta, que exige de nós um preço alto para adquiri-lo. É mister renunciar a muito, vender coisas obsoletas, supérfluas, juntar outro pequeno tesouro para adquirir aquele que é grande e Absoluto, todo solto, que só pode ser Deus, que passa no tempo e não se deixa quantificar, nem aprisionar. O reinado de Deus ainda se parece com a pérola de grande valor. As pérolas maiores são o produto do sofrimento, isto é, do desprazer de viver submerso na realidade salgada dos mares. A pérola, para existir, passa por um processo doloroso de reação a corpos estranhos que invadem o seu organismo, fazendo-a sofrer terrivelmente. Desta mesma forma, o Reinado divino não se traduz pelos prazeres e delícias de banquetes nababescos, mas se sinaliza na paupérrima realidade das vítimas dos dissabores do mundo, das ondas das desilusões. O Reinado de Deus se vislumbra nas pequeninas realidades relegadas à sorte de líderes carismáticos, que desejam apenas o bem do povo, das ovelhas que não são suas, mas do Senhor. Estes vendem seus bens menores e, em troca, adquirem o bem maior, aquele que é incalculável, que perpassa todo tempo e move toda história, o bem ao qual todos se destinam e que dá sentido a toda vida humana e criada. Todavia, mesmo que tempus fugit, ele nos leva sempre Àquele que é origem de todo tempo, de todas as coisas, inclusive de nós mesmos.

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